DIA 12 DE MARÇO DIA MUNDIAL DOS RINS, SERÁ COMEMORADO EM CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM

Saúde Renal

Por Dr. Sergio Damião Santana Moraes, médico em Cachoeiro de Itapemirim

“Previna-se”: é o nome da Campanha Nacional da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) para prevenção da doença renal crônica. Março é o mês do rim. A insuficiência renal crônica, deficiência completa na função dos rins, leva a necessidade da terapia renal substitutiva – hemodiálise, e posterior transplante, tornou-se uma epidemia mundial em consequência do envelhecimento da população, da sobrevida maior do diabético, obesidade e aumento das pessoas adultas com hipertensão arterial sistêmica. No passado, a doença renal crônica era causada, principalmente, pelas nefrites e cálculos (pedras). Na atualidade, o diabetes mellitus e hipertensão são as mais frequentes. Nestes dois casos elas são silenciosas. Normalmente nascemos com dois rins e localizam-se na região lombar, nas costas, um de cada lado, cada rim pesa em torno de 150 gr e mede 12 cm. Podemos nascer e viver com um rim só, tanto que em vida podemos doar um rim para um parente que venha a precisar. Os rins filtram 25% de todo o nosso sangue a cada minuto; mantém o equilíbrio de água e sal dentro do corpo humano; produzem hormônios para evitar a anemia e fortalecer nossos ossos e controle da pressão sanguínea. Os rins possuem uma boa reserva funcional, e com isso, mesmo com lesão em suas células, podem por vários anos compensar essa perda. Por isso o alerta de “doença silenciosa”. Existe dor, muitas vezes insuportável, em caso de cólica renal, infecções urinárias e renais, nesses casos a disfunção, quando aparece, é reversível, dita insuficiência renal aguda. O exame de urina simples (EAS) e a dosagem da uréia e creatinina no sangue, exames baratos e de fácil realização, são recomendados principalmente para hipertensos, obesos, diabéticos e os com história na família de doença renal. A perda de proteína na urina é um bom marcador de lesão vascular renal e sistêmica. Diminuindo sua perda, controlando a hipertensão e mudanças de hábitos alimentares, diminuindo o sal na alimentação, podemos prevenir ou atenuar as doenças cardiovasculares – infarto do coração, derrame cerebral e insuficiência renal. Idosos e pessoas que já apresentam a doença renal devem evitar anti-inflamatórios. A doença renal crônica pode se manifestar em qualquer idade. Por isso, o alerta para a prevenção iniciar-se na infância – devemos ficar atentos às crianças com infecção urinária de repetição.

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© “caramel chocolate bar” (CC BY-SA 2.0) by ginnerobot 

Alimentos e dicas a considerar, de forma a evitar a doença renal ou a sua progressão para estádios mais avançados.

Se procura optar sempre por uma alimentação saudável deve saber, desde já, que se deve rodear de alimentos realmente saudáveis, quer em casa, quer no seu contexto de trabalho e/ou social. Preencher o seu frigorífico e armários com opções nutricionalmente ricas vai ajudá-lo a evitar comidas e nutrientes que podem contribuir para o aparecimento de várias doenças.

No que diz respeito à doença renal, as principais causas da mesma são a hipertensão arterial e a diabetes. Mas se estas duas condições estiverem controladas, a doença renal pode ser prevenida. E, mesmo em casos onde já esteja presente, a sua evolução para estádios mais graves pode ser abrandada com uma correcta escolha a nível alimentar.

Quando os rins não funcionam adequadamente, deixam o corpo vulnerável ao aparecimento de várias complicações. Deste modo, manter uma boa função renal contribui para uma saúde de ferro!

Uma alimentação amiga do rim limita certos nutrientes e difere em alguns pontos das recomendações gerais para uma alimentação saudável: recomenda-se uma redução na ingestão de proteínas, fósforo, potássio e líquidos. O objectivo desta dieta é manter os níveis de electrólitos, minerais e fluidos, controlados.

Todos os planos alimentares, incluindo a dieta amiga do rim, têm em atenção os seguintes tópicos:

  • Proteínas
  • Hidratos de Carbono
  • Gordura
  • Sal
  • Minerais
  • Água/Líquidos

Para cada um dos pontos acima assinalados, vai-se descobrir o que evitar fazer e/ou ingerir para mimar os rins.

A sua alimentação constitui um pilar importante no tratamento da insuficiência renal.

Proteínas

Uma dieta pobre em proteínas pode enfraquecer o cabelo e as unhas, causa flacidez a nível da pele e pode provocar perda de massa muscular. Mas o excesso de proteína pode originar prejuízos nos rins, em especial nas pessoas com insuficiência renal, pois sobrecarregam o seu funcionamento. O consumo ideal deverá ser o de um grama de proteína por quilo do peso corporal, por dia. Para pessoas em programa de diálise, o consumo deve ser maior.

Assim, deve limitar a quantidade de:

  • Carne vermelha
  • Carne branca
  • Peixe
  • Leite
  • Ovos

A Associação Americana de Doentes Renais recomenda substituir a proteína de origem animal por proteína vegetal isto porque, a carne e o peixe, especialmente, são ricas em purinas que se convertem em ácido úrico nos rins. A urina fica demasiado ácida o que leva à formação de cristais de ácido úrico, que se depositam no rim como pedras.

Hidratos de Carbono

Os hidratos de carbono são a forma de energia que o nosso corpo mais utiliza e de forma mais rápida. Muitos hidratos de carbono são ricos em potássio e fósforo e, como veremos mais adiante, podem constituir um problema em estágios mais avançados da doença renal.

Produtos com hidratos de carbono a evitar ou limitar são:

  • Açúcar
  • Mel
  • Bebidas alcoólicas
  • Refrigerantes
  • Alimentos processados como bolacha, bolos e cereais ricos em açúcar
  • Produtos de pastelaria
  • Pão branco
  • Bananas e laranjas
  • Chocolate e cacau
  • Gelados
  • Caramelo
  • Compotas
  • Sumos

Gordura

A gordura fornece também energia e ajuda a que o corpo rentabilize e optimize as vitaminas provenientes da comida. Mas o excesso de gordura leva a um aumento de peso e pode conduzir a doenças coronárias.

A gordura saturada é aquela que deve ser mais evitada e está presente nos seguintes alimentos:

  • Manteiga
  • Banha
  • Maionese
  • Carnes vermelhas e pele das carnes brancas
  • Refeições pré-confeccionadas como pizzas, lasanhas e outros
  • Bolachas e biscoitos
  • Alimentos fritos (como rissóis, croquetes, pastéis de bacalhau, batatas de pacote ou naturais fritas)

Sal

O sal é um mineral presente em quase todos os alimentos. O excesso de sal provoca sede, leva à formação de edemas e aumenta a tensão arterial. Isto provoca danos renais e um excesso de trabalho por parte do coração.

Deve seguir as seguintes recomendações de modo a evitar o sal na sua alimentação:

  • Reduza a quantidade de sal enquanto cozinha, optando por ervas frescas e condimentos
  • Não adicione sal ao seu prato, enquanto o está a saborear
  • Evite os vegetais e peixes enlatados pois são ricos em sal
  • Se for consumir produtos enlatados, passe-os bem por água corrente, de forma a eliminar o máximo de sal possível
  • Evite presunto, bacon, fiambre e produtos fumados
  • Evite snacks com sal, como amendoins fritos e bolachas
  • Opte por cozinhar as suas refeições, ao invés de comprar refeições pré-feitas: nunca consegue controlar a quantidade de sal
  • Cuidado com as azeitonas em frasco e os pickles
  • Evite ir a cadeias de fast food: além de alimentos muito gordurosos, também possuem bastante sal
  • Limite o uso de molho de soja, molho de barbecue e ketchup
  • O marisco e os crustáceos são ricos em sal
  • Cuidado com os substitutos do sal: normalmente são ricos em potássio e este mineral em excesso pode agravar ou levar a doença renal

Minerais

O Potássio é um mineral presente em quase todos os alimentos e essencial ao funcionamento muscular. Mas quando existe insuficiência renal, os níveis de potássio devem estar estabilizados (nem demasiado altos nem demasiado baixos), caso contrário aparecem cãibras musculares, batimentos cardíacos irregulares e fraqueza muscular.

Os alimentos com grande quantidade de potássio e que devem ser limitados são:

  • Abacates, bananas, melão, laranjas, ameixas e quivis
  • Frutos secos e desidratados
  • Alcachofras, couves, espinafres e batatas
  • Abóbora, espargos, tomate e molhos com tomate
  • Produtos com farelo (de trigo e aveia, por exemplo) e granola
  • Grão-de-bico, ervilhas secas e favas
  • Feijão e arroz castanho e selvagem
  • Leite em pó

Recorde-se da frase de Henri Bergson: “Escolher é excluir“.

Fósforo é outro dos minerais que, apesar de estar contido em muitos alimentos e ter várias propriedades benéficas (intervém na síntese do cálcio e vitamina D de forma a manter ossos e dentes saudáveis), em excesso, pode levar a fracturas ósseas frequentes.

Muitas pessoas com doença renal necessitam de limitar o seu consumo, devendo evitar:

  • Pão integral
  • Farelo de cereais e aveia
  • Oleaginosas (nozes, sementes de girassol, amêndoas, avelãs e amendoins)
  • Refrigerantes (principalmente de cor escura)
  • Leite e derivados
  • Chocolate e cacau

Água / Líquidos

A água é essencial à vida mas quando os rins estão debilitados, esta deve ser restrita, uma vez que os rins não conseguem filtrar nem excretar os líquidos como deviam. Demasiados fluídos no corpo conduzem a tensão arterial alta, edemas, falência cardíaca e falência pulmonar.

Tenha em atenção as seguintes recomendações:

  • Ingira a quantidade de água/líquidos que a sua equipa de saúde lhe recomenda
  • As sopas são ricas em água: quando as confeccionar, use a quantidade mínima necessária para cozer os legumes
  • Os gelados, alimentos com gelo e a gelatina também têm uma grande percentagem de água
  • Cuidado também com a fruta e os vegetais, que podem ter bastante água
  • Alimentos ricos em sal potenciam a sede: evite ingeri-los

Como em tudo na vida, tente manter o equilíbrio e o bom senso nas suas escolhas alimentares e não se esqueça de procurar a sua equipa de saúde para esclarecer qualquer dúvida. Por si e pela sua saúde, sempre!

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